Introdução
O campo de estudo relacionado ao Carnaval de Porto Alegre está atualmente centrado, em sua maioria, nas questões socio-atropológicas da festa ou trabalhos sobre escolas e personalidades envolvidas. Análises de abordagem histórica ainda são escassas. Em virtude disto, esta pesquisa se justifica na intenção de somar-se aos trabalhos já realizados, a partir do viés histórico, resgatar os desfiles carnavalescos de Porto Alegre em seu “período de ouro”, durante o Regime Militar. Através do olhar de dois de seus mais memoráveis foliões: Joaquim Lucena Neto, membro de uma das mais importantes famílias carnavalescas da cidade; e Sérgio Renato Machado Bastos, ex-folião e jurado do carnaval, considerado por muitos uma das enciclopédias vivas do carnaval gaúcho. Duas importantes personalidades do carnaval da capital gaúcha que estiveram durante o período da ditadura em posições políticas opostas, sendo Lucena um militar e Bastos filho de presos políticos, porém que trabalharam pelo carnaval.
Metodologia
Apresenta-se como fonte primária para esta pesquisa entrevistas a serem realizadas com os dois envolvidos no projeto, Sérgio Bastos e Joaquim Lucena. Utilizando-se de conceitos teóricos da história cultural, pretende-se empregar estes depoimentos como obtenção de dados para o desenvolvimento da análise. Além destas entrevistas foram gentilmente cedidos para pesquisa os arquivos carnavalescos da Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Com base na interpretação das fontes fazendo uso dos conceitos de identidade e representação, pretende-se analisar e contextualizar a atuação destes personagens, sob a problemática sócio-política brasileira do período.
Resultados
A base da história carnavalesca foi transmitida através da tradição oral, geralmente pelos bambas do samba – figuras importantes para as comunidades carnavalescas. A história dos principais personagens do samba acabam sendo a própria história do carnaval, como por exemplo, “a história de Paulo da Portela, confunde-se com o surgimento do próprio samba carioca. São vários os depoimentos que o colocam como brilhante orador e grande liderança, um verdadeiro professor, como era chamado e lembrado até hoje por vários sambistas”(DINIZ, 2006, p. 111). Então é muito comum ocorrerem versões contraditórias sobre um mesmo fato ou passagem, pois estes bambas costumam privilegiar suas agremiações ou, popularmente falando, “puxam a brasa pro seu assado”. Ao analisar a história de duas personalidades do Carnaval de Porto Alegre é observado estas particularidades acerca de seus depoimentos e considerados juntamente com fontes escritas da época.
Conclusão
Este estudo tem como principal finalidade ampliar os estudos acerca de carnaval, especialmente o de Porto Alegre, no âmbito universitário, hoje inseridos principalmente no campo da Antropologia O estudo histórico do carnaval de Porto Alegre é uma área ainda pouco explorada por historiadores, porém é necessário fazê-lo, especialmente quando podemos dar voz aqueles que dedicaram toda sua vida para esta festa.
Referências
DINIZ, André. Almanaque do Carnaval. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2006.
Artigo apresentado no X Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 2009.
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