A Esmeralda e o Aguaceiro no Carnaval em Porto Alegre


Esmeralda e o Carnaval de Porto Alegre

Na terça-feira de carnaval de 1885, Porto Alegre aguardava com expectativa o desfile da Sociedade Carnavalesca Esmeralda. A Germânia já havia encantado o público no dia anterior com seu préstito. Os Venezianos, por sua vez, não saíram às ruas naquele ano. Restava à Esmeralda a missão de brilhar — e ela prometia fazê-lo com pompa e esplendor.

Mas São Pedro tinha outros planos.

Uma chuva torrencial caiu sobre a cidade, desmanchando fantasias, borrando pinturas e dispersando os foliões. Os carros triunfais, cuidadosamente preparados, não chegaram a desfilar. O lamento foi geral: os Esmeraldinos prometiam uma festa memorável.

Ainda assim, o público teve a chance de admirar os carros alegóricos, que estavam prontos para seguir em cortejo. Segundo o jornal A Federação (18 de fevereiro de 1885), o desfile teria a seguinte ordem:

🌹 1º Carro: A Rainha

Uma imensa rosa flutuando sobre o mar espumante, puxada por quatro cisnes guiados por cupidos. Do centro da flor, erguer-se-ia a rainha, cercada por sua corte. A criação era do Sr. Alfredo Chaves.

🐉 2º Carro: A Tenda das Boêmias

Guardado por dois dragões e pela figura de Minerva, o carro abrigaria uma jovem representando a boemia, acompanhada por grupos artisticamente dispostos. Execução do Sr. Leopoldo Masson.

👑 3º Carro: A América

No trono dourado, uma jovem encarnaria o continente americano, ladeada pelos bustos de Colombo e Américo Vespúcio. Outras figuras femininas representariam o Brasil e a Indústria, enquanto dois "bugres" guardariam a cruz de Malta. Obra do Sr. Araújo Guerra.

A imagem que acompanha esta postagem, publicada em O Século (22 de fevereiro de 1895), retrata a embarcação “Esmeralda” sob forte aguaceiro — uma metáfora perfeita para aquele carnaval frustrado. Talvez São Pedro tenha preferido brincar de entrudo, molhando tudo e todos com sua seringa celestial.

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