Carnaval, corpo e reinvenção
Como artistas negros transformam seus corpos e suas experiências em criação carnavalesca?
A dissertação de Thiago Pirajira Conceição investiga artistas cênicos negros do Bloco da Laje, em Porto Alegre, e propõe pensar o carnaval como espaço de criação, resistência e reinvenção.
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| Primeiro desfile público do Bloco da Laje no bairro Cidade Baixa, Porto Alegre, 2011. Foto: Pedro Wollf. |
Referência
CONCEIÇÃO, Thiago Pirajira. Forjas Pedagógicas: rupturas e reinvenções nas corporeidades negras em um bloco de carnaval (Porto Alegre, Brasil). Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Federal do Rio Grande, Porto Alegre, 2019.
Do carnaval do século XIX aos blocos contemporâneos
A presença negra no carnaval de Porto Alegre não pertence apenas ao passado. Da Sociedade Carnavalesca Os Congos, no século XIX, aos blocos contemporâneos, diferentes sujeitos negros ocuparam as ruas, criaram formas de expressão e produziram outras maneiras de viver e significar o carnaval.
Resumo
A presente dissertação possui uma dupla proposição. A primeira, trata da análise do processo de criação de quatro artistas cênicos negros que fazem parte de um bloco de carnaval de rua, na cidade de Porto Alegre, Brasil. A segunda, visa a formulação de uma epistemologia anti-hegemônica que dê conta das subjetividades dos sujeitos analisados. Parte-se do pressuposto de que o corpo negro na diáspora é atravessado pela simultaneidade de um estado de dor frente ao genocídio constante do projeto estrutural-racializante. Opõe-se a esse estado modos artísticos de resistir, com os quais os artistas estudados reinventam possibilidades de vida. Com efeito, surgem as seguintes questões: como, frente a essa realidade, se operacionalizam os modos de criação desses corpos na cena artística? É possível que as metodologias artísticas hegemônicas deem conta das complexidades enunciativas dos corpos em questão? Apresenta-se a noção de forjas pedagógicas como uma possível epistemologia reivindicadora que pensaria, sob novos ângulos, as experiências negras nos processos cênicos de criação. Discute-se o termo forja, assentado na mitologia yorubá, como desestabilização, como reinvenção e como campo de possibilidades. A pesquisa discorre sobre as possibilidades de elaboração de subjetividades e reinvenção de identidades que os artistas articulam na construção de suas narrativas na festa do carnaval. Em uma perspectiva decolonial, a dissertação visa a problematizar as áreas das artes cênicas, da educação e da filosofia a partir das relações étnico-raciais.
Para continuar a pesquisa
Esta dissertação é uma das pesquisas acadêmicas que ajudam a compreender o carnaval de Porto Alegre a partir de diferentes perspectivas. No A Entrudeira, outros estudos investigam personagens, sociedades carnavalescas, práticas culturais, relações étnico-raciais, gênero e diferentes momentos dessa história.