Carnaval e negritude: a história da Sociedade Os Congos em Porto Alegre

Carnaval e população negra

A história do carnaval de Porto Alegre também foi construída por sujeitos negros. A Sociedade Carnavalesca Os Congos é uma das pistas fundamentais para recuperar essa presença e compreender formas de organização, celebração, solidariedade e reivindicação de espaço na cidade.

Desfile das Sociedades Carnavalescas Esmeralda e Os Congos em Porto Alegre no século XIX
Desfile das Sociedades Carnavalescas Esmeralda e Os Congos em Porto Alegre, século XIX.


A Sociedade Carnavalesca Os Congos constitui um exemplo relevante da atuação de sujeitos negros livres no espaço público urbano de Porto Alegre durante o século XIX. Fundada por homens negros, possivelmente libertos, essa agremiação carnavalesca se destacou por sua organização formal, por sua visibilidade nos festejos da cidade e por sua articulação com práticas culturais de matriz africana.

Carnaval de elite, presença negra

O carnaval porto-alegrense da segunda metade do século XIX era marcado pela presença de sociedades carnavalescas vinculadas às elites locais, com forte influência de modelos europeus de sociabilidade. Nesse contexto, a atuação dos Congos revela uma dinâmica de inserção e negociação simbólica por parte da população negra, que não apenas participou dos festejos, mas também construiu formas próprias de representação e celebração.

Carnaval, abolição e representação

A presença da população negra no carnaval também aparece nas formas como a abolição foi representada pelas sociedades carnavalescas. Em um desfile da Esmeralda, o 13 de maio e a abolição ganharam lugar na cena carnavalesca de Porto Alegre.

→ Leia: O 13 de maio e o Carnaval de Porto Alegre

Africanidade em cena

A Sociedade Carnavalesca Os Congos realizava cortejos e bailes que incorporavam elementos da cultura afro-brasileira, como a coroação simbólica de reis e rainhas do Congo, danças com nomes em línguas africanas e o uso de instrumentos musicais diversos. Essas práticas evidenciam a permanência de referências africanas no cotidiano dos sujeitos negros livres, mesmo em espaços marcados por normas de branquitude e distinção social.

Os Congos também podem entrar na sala de aula

A história da Sociedade Carnavalesca Os Congos permite discutir carnaval, população negra, memória, cultura e formas de organização da população negra em Porto Alegre. No A Entrudeira, esse tema também foi transformado em proposta pedagógica.

→ Conheça o plano de aula sobre a Sociedade Carnavalesca Os Congos

Resistência em forma de cortejo

Além de sua dimensão festiva, a atuação dos Congos também se articulava a estratégias de solidariedade racial. Há registros de eventos promovidos pela sociedade com o objetivo de arrecadar fundos para a compra de alforrias, o que indica uma dimensão política e comunitária em sua organização. A presença da sociedade em espaços centrais da cidade e sua interlocução com autoridades locais também revelam formas de agência e reivindicação de pertencimento urbano por parte da população negra.

Por que lembrar dos Congos hoje?

A trajetória da Sociedade Carnavalesca Os Congos evidencia a atuação de sujeitos negros livres na construção de formas próprias de sociabilidade, identidade e resistência no espaço urbano de Porto Alegre. Sua presença no carnaval da elite desafia narrativas que invisibilizam a participação negra na formação da cidade e reforça a importância de recuperar essas memórias para compreender a história social brasileira.

Para aprofundar a pesquisa

Esta postagem apresenta, em linguagem de divulgação científica, alguns aspectos da história da Sociedade Carnavalesca Os Congos. A pesquisa acadêmica que fundamenta este texto investiga com maior profundidade a atuação da sociedade e a presença de sujeitos negros no carnaval de Porto Alegre no século XIX.

→ Leia o texto acadêmico completo sobre a Sociedade Carnavalesca Os Congos

Como citar esta postagem

LEAL, Caroline Pereira. Carnaval e negritude: a história da Sociedade Os Congos em Porto Alegre. A Entrudeira, 2025. Disponível em: http://www.aentrudeira.com.br/2025/11/carnaval-e-negritude-historia-da.html. Acesso em: ___ ___ 2025.

Texto de divulgação científica baseado em pesquisa acadêmica previamente publicada em periódico científico.

Post a Comment